Alimentação · filmes

Alimentação, Saúde e Sustentabilidade – 3 Documentários

Em busca de uma vida melhor é sempre importante buscar informações, estudar e assim conscientizar-se. Pensando nisso e porque meu irmão insistiu muito vi três documentários sobre alimentação. A princípio, podemos dizer que o foco deles é esse, porém, cada uma deles aborda a sociedade de uma forma mais abrangente.

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O primeiro que vi foi o Fed Up, nele temos três linhas narrativas: na primeira temos fatos e acontecimentos históricos sobre a alimentação nos Estados Unidos, entre um dos mais chocantes é descobrir qual foi o artifício usado pelas empresas quando, através de um lei, eles tiveram que diminuir a quantidade de gordura nos alimentos, então aumentaram absurdamente a quantidade de açúcar. E qual foi a consequência disso? Altíssimos graus de obesidade.

Entre outras causas está a vida consumista e uma industria descontrolada que só se importa com dinheiro e não com a nossa saúde. Para muitos isso não deve ser novidade, mas a forma que vemos no filme é bem tocante. A segunda linha narrativa mostra a rotina e conversas com crianças obesas. São apenas crianças, mas passam por uma cobrança enorme estarem acima do peso e o documentário enfatiza em dizer que não é culpa delas, mas do alto consumo de alimentos lotados de açucares e gorduras e do marketing em produtos não saudáveis.

É assustador ver como estamos cercados por alimentos perigosos para a nossa saúde, em certo trecho do filme eles dizem que refrigerante deveria vir com o mesmo alerta dos cigarros, pois são extremamente prejudiciais.

Na terceira linha narrativa do filme temos entrevistas com pessoas especializadas e renomadas que dizem claramente que a industria só se importa com dinheiro, e como essa mesma industria investe na política fica muito mais difícil para o governo agir contra eles.

Uma das partes que mais me tocou uma das garotinhas obesas entrevistada diz que por mais que ela tente, faça exercícios é difícil para ela perder peso sendo que os pratos servidos na escola são os seguintes: Pizza Hut, McDonald’s e Burger King. Uma das outras crianças diz que é quase como um alcoólatra viver cercado de bebidas, durante todas as suas vidas o cérebro delas foi estimulado a se alimentarem daquela forma.

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O segundo documentário que vi foi o Food Matters, ele fala sobre o impacto da alimentação na nossa saúde. A partir do princípio “você é o que você come” vários médicos e especialistas explicam porque as comidas industrializadas não fazem nada bem para a saúde e como na mídia, marketing e até na literatura da medicina isso é abordado de uma maneira trivial.

Por exemplo, segue o seguinte discurso:  “para você perder as calorias dessa lata de coca você precisa correr durante x horas”, mas o que acontece com esse refrigerante dentro de nós? Além das calorias, eles sobrecarregam o fígado e o pâncreas. Poderíamos comer a mesma quantidade de calorias em frutas e o processo seria outro.

O ponto do Food Matters é bem claro: coma frutas, grãos, vegetais, pois as vitaminas encontradas neles é tudo que o seu corpo precisa. 

Um dos pontos mais pesados e interessantes é quando eles falam da maneira de tratar doenças com boa alimentação e vitaminas. Eles exemplificam esse argumento e falam de pessoas que trataram câncer com doses imensas de vitamina C. Mas então existe uma opção menos agressiva para tratar o câncer? Por que isso não está nos jornais e em todo o local?

Ta aí o ponto em comum nesses três documentários: dinheiro. Como a industria farmacêutica existiria se, de repente, toda a sociedade ficasse saudável? Basta ver os valores de cirurgias e remédios. Para a industria somos meramente produtos, não importa a nossa saúdes, o que importa é continuarmos consumindo.

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O terceiro documentário que vi foi o Cowspiracy,  acompanhamos Kip Andersen, alguém que faz de tudo possível para viver em harmonia com o planeta. Então ele toma banhos rápidos, recicla, anda de bicicleta, ajuda ONGs e achava que estava fazendo a sua parte. Até que ele esbarra com dados que dizem que a principal causa para o efeito estufa é a agricultura e pecuária. Não é exatamente assim que ele descobre, mas a informação é a seguinte: para a nossa população (que é um número gigantesco) comer carne é preciso ter muitos animais, para muitos animais é preciso muito espaço, para muito espaço é temos que desmatar as florestas para virar pasto, esses muitos animais precisam comer grãos, muitos grãos, então é preciso plantar muitos grãos para as vaquinhas comerem durante alguns anos,  também é preciso muito água para elas beberem para assim você ter o seu bife no prato.

Dá para perceber como isso não é viável? De repente, ele percebe que tudo que ele estava fazendo era um número material comparado a isso. E, se isso é realmente tão grande, por que as grandes ONGs não tocam no assunto?

Então, ele investiga (talvez esse seja o elemento que deixa esse documentário tão envolvente), junto com ele descobrimos o que existe por trás desses dados, ele resolve fazer várias entrevistas e ouvir as  pessoas que estão envolvidas no assunto. Então percebemos que a questão é mais complicada ainda, é algo que todo mundo sabe, mas ninguém que falar sobre isso porque é inconveniente dizer para a população que o nosso hábito de comer carne está destruindo o planeta.

Em uma das partes mais chocantes ele fala sobre o desmatamento da floresta amazônica e conta sobre ambientalistas que tentaram fazer algo contra isso e simplesmente sumiram ou foram mortos.

Mais uma vez entramos na questão: dinheiro. Imagina se todo mundo resolvesse para de comer carne? Imagina um mundo que realmente iria conseguir lutar contra o aquecimento global? Imagina quanto dinheiro os grandes pecuaristas perderiam? Deve ser assustador para eles só de pensar nisso.

Entre os três o que eu mais indico é o Cowspiracy, ele consegue abordar de uma forma tão envolvente e explicativo, mas de certa forma ele não te força a nada, é quase como uma conversa sutil, mas profunda que te deixa pensativo.




O que todos esses documentários tem o comum é a questão da mudança de comportamento, é meio dolorido e ás vezes até difícil perceber que estamos fazendo algo errado e prejudicial para nós mesmos. Mas temos que ter consciência dos nossos atos e perceber que eles fazem parte de um grande coletivo, sem contar que estamos todos cercados por um mídia nojenta e não confiável e um governo que não nos protege.

Além de toda a questão da minha alimentação, pensei bastante sobre esses documentários serem encontrados de uma forma tão fácil na Netflix, todos eles deixam bem claro que existe pessoas, industrias e empresas que não querem que isso seja dito, mas por outro lado isso está disponível para nós. Devemos ver isso como a grande liberdade que a internet nos trouxe? Ou temos acesso a esse tipo de informação porque tem coisas muito piores que nunca saberemos? Ou pior, por mais que o discurso dessas pessoas atinja várias outras pouco importa, nada irá mudar?

Sei que uma vez que você está consciente sobre um problema ou situação, se é possível que você aja e você não agir, você é conivente com aquilo. É preciso viver todos os dias em busca da consciência dos nossos atos e as consequências. Pensar e discutir alimentação e saúde é o foco dos documentários, mas isso não acaba depois de 1 hora e meia na frente da TV, ao contrário, todos eles possem sites para alongar o assunto e convida a quem assistiu a tentar mudanças. Eu sinto que é preciso agir, preciso fazer a minha parte.

Quero falar mais sobre documentários por aqui, então aceito sugestões.

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