Debaixo D'agua

Um blog todo meu

Arte de Pawel Kuczynski
Arte de Pawel Kuczynski

Esse daqui é o Livros Aquáticos, tentei procurar por aqui, mas não achei a data de quando ele surgiu, lembro que foi cerca de 3 ou 4 anos atras, também lembro que o blog me salvou.

Parece até meio clichê falar sobre como os livros e a literatura nos salvam, mas quem já foi salvo por ela sabe que é pura verdade. Talvez no seu caso tenha sido na leitura de um livro maravilhoso que rolou uma compatibilidade absurda exatamente no momento em que você precisava, isso já aconteceu comigo também, mas quando falo que os livros e o blog me salvaram tem outra história por trás.

Minha vida no ensino fundamental e ensino médio foi daquelas bem confusas, nunca entendi porque deveria escolher uma faculdade, mas todos os dias meus professores me lembravam que “é a maior escolha da sua vida”,  “você precisa passar em uma faculdade federal para se destacar mais”. Pois bem, como uma boa adolescente que não sabe lidar com situações problemas (e matemática) resolvi fazer tudo nas coxas e cursar Letras por conveniência, já que tudo que eu fazia era ler. Acabou o ano e o aterrorizante Ensino Médio, como uma boa estudante de escola particular de São Paulo, mesmo não querendo prestei FUVEST, mas não para Letras, resolvi prestar para História (aqui não faz sentindo, no mento não fez sentindo e eu sou mestra em tomar decisões que não fazem sentido) que é um pouco mais fácil e, claro, com toda essa motivação não passei.

A história tá meio longa, mas acredite em mim: chegarei em um ponto importante.

Comecei a fazer Letras em uma faculdade particular, esperava encontrar um mundo de leitores naquela sala de aula, quem sabe um amigo que gostasse também dos mesmo filmes e música, seria maravilhoso, não é? Mas descobri que a vida adora esmagar as nossas expectativas. O curso não era de Letras, mas de tradução e as pessoas ali não gostavam de ler tanto como eu imaginei, eles não tinham essa paixão por livros que nós conhecemos.

Sai, desisti. Infelizmente não consigo ficar em lugares que não me encaixo bem, me irrita, me entristece. Tudo que eu queria (e acho que ainda quero) é viver de ler e escrever, ali não parecia o caminho para isso. Nesse meio tempo comecei a namorar um aluno da USP que me apresentou um universo maravilhoso no bairro do Butantã, estava decidido: vou me esforçar, prestar vestibular e vim para cá todos os dias. Parecia fácil já que eu sempre fui uma aluna ok, tinha acabado de sair do ensino médio, só precisava estudar um pouquinho. Para resumir a história: passei para a segunda fase, mas não entrei. Todos diziam que eu entraria facilmente e como diz aquele ditado: quanto maior a expectativa, maior a decepção.

Agora queria falar um pouco sobre tristeza. Sabe aquilo de ficar ouvindo música deprê o dia todo, pensar somente em desgraça e aquilo que “a arte nunca vem da felicidade”, então, sempre me senti muito confortável no meio da tristeza e da solidão, porém, essa tristeza vinha de algo que existe dentro de mim e eu sabia muito bem lidar com ela (entre crise de choros e textos melancólicos). Dessa vez não foi bem assim, a vida me deu uma porrada e eu não soube lidar, passei semanas com a decepção de ser eu, de não alcançar um objetivo. O que seria de mim? Não sei… Tudo que eu queria era ler, ler e ler.

Foi o ano que eu mais li na minha vida até hoje.

Ler é uma atividade solitária, tudo que precisamos é de um livro. Mas, quando lemos um livro que nos abraça de todas as formas possíveis é maravilhoso pesquisar mais sobre ele e mais incrível ainda é encontrar alguém que goste dele tanto quanto você. Lembro da primeira vez que senti isso na internet e percebi que o mundo dos livros é maior do que eu imaginava.

Foi após ler A Libélula dos Seus Oito Anos do Martin Page, o livro me tocou de uma forma tão absurda que eu precisava saber tudo sobre ele então o que eu fiz? Exatamente, joguei no google.

Entre links de livrarias ali estava um link para um blog literário: Livro&Café. Fiquei tão feliz de saber que mais alguém tinha lido o livro, mais alguém tinha gostado, e alguém estava compartilhando a sua opinião sobre aquele livro maravilhoso! Foi incrível. Ao explorar a página do blog fiquei cada vez mais feliz, a autora do blog (Fran <3) ama Virginia Woolf, um tempo antes eu tinha lido uma biografia dela e estava super interessada também. De repente, ler não era tão solitário assim.

Mas eu já tinha um blog, o Balões Aquáticos foi o meu lugar de refúgio durante toda a minha adolescência e a melhor forma de lidar com aquela minha tristeza, mas eu não queria mais falar sobre mim, falar sobre livros pareceu uma opção interessante e mais leve, fez com que eu deixasse um pouco de lado a minha tristeza e produzisse algo realmente real, algo que eu podia chegar para a minha mãe e dizer que estava ali. Eu que sempre falei que queria ser escritora e viver de escrever tinha dado um passinho para frente.

Quando eu digo que o blog e os livros me salvaram não quero ser dramática, quero apenas dizer que o mundo dos livros me mostrou um caminho, me mostrou que não estou sozinha. E naquele exato momento em que eu comecei a escrever posts, ler e saber que eu poderia comentar com alguém, minha cabeça começou a lidar com esses problemas que a vida trás.

Fui pesquisar o post que li no Livro&Café, tem aqui um link (vi que até tem um comentário  meu no post) , ele foi escrito pelo Alex Sens, que hoje tem um livro maravilhoso chamado O Frágil Toque dos Mutilados.

Minha história com o Livro&Café não parou naquele dia, depois de alguns meses de blog entrei em contato com a Francine perguntando se ela queria postar alguns dos meus posts lá (na época o site tinha uma área de contato para quem quisesse ser colaborador) e deu certo. Lembro que eu fiquei tão apreensiva, de certa forma o blog e as pessoas pareciam tão distante de mim, parece tão difícil criar pontes, mas as vezes tudo que precisamos é um pouco de coragem para tentar.

Os anos passaram e sinto que estou em uma situação parecida, minha vida está toda confusa, mas o Livros Aquáticos continua aqui, o meu lugar de conforto, o meu espaço nessa internet toda, um blog todo meu.

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