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Resenha: Cada homem é uma raça – Mia Couto

Há tempos venho pensando em ter o meu primeiro contato com Mia Couto, enfim chegou. Este livro apareceu na minha vida de uma forma diferente, mandado pela Companhia das Letras e chegou para ficar entre os meus preferidos.
Primeiro quero comentar sobre o português. Essa língua nos une e sua beleza é imensuravel. É tão bonito pegar um livro na sua própria língua mas admirar os fonemas e palavras que não possuímos. Isso já é bonito demais, mas acredite, pode ficar melhor! Mia Couto utiliza de uma prosa diferente: A lindíssima prosa poética.
Então essas palavras que já conhecemos se misturam com palavras novas e rimam carinhosamente em nossos ouvidos.

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“Era possível? Entregar-se a chave da porta ao próprio ladrão? Como podia ser ele um defensor da Revolução?”

Palavras que passam pelos ouvidos e a estória chega até o nosso coração. Contando sobre pessoas e seus segredos, suas vontades. As belas mulheres e seus problemas, pais, filhos, andarilhos, princesas, tios, sobrinhos e um cadinho de gente. Engraçado como cada um de nós temos a nossas estórias, mas que às vezes (principalmente através da literatura) conseguimos nos indentificar com o outro. Por mais que o acontecimento seja totalmente irreal para nós, em nosso mundo particular, compartilhamos o mesmo sentimento. Isso que faz uma grande narração, a identificação. Algo que por mais que tentem nos ensinar: não há fórmula. Está em algo nas pessoas que conseguem montar esse quebra cabeça que é criar e falar de sentimentos comuns mas com palavras diferentes e ainda mais, de uma forma delicada.

“Sua conversa era sempre miúda, chuva que nem molhava, água arrependida de cair. Servia-se de sonhos:
– Amanhã, amanhã”

Não sei se consegui descrever tudo que senti com o livro, afinal, não sei se uso das metáforas e adjetivos muito bem. Mas talvez isso seja porque é algo que me surpreendeu. A união de pedaços de vida com uma linda maneira de ser contada. A vida tão delicada, tão bela, descrita em algumas páginas.

“Nesse custo, entendi: acordar não é simples passagem do sono para a vigilia. É mais, um lentíssimo envelhecimento, cada despertar somando o cansaço da inteira humanidade. E conclui: a vida, ela toda, é um eterno nascimento”

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Um livro que quero compartilhar com todos, para que essa estória seja contada, recontada e assim atinigr a muitos corações. Afinal, esse é o nosso lema “Tentamos fazer livros nadarem até vocês” e que esse livro Cada homem é uma raça possa nadar até muitos corações e que seja compartilhado com muitos outros.

“História de um homem é sempre mal contada. Porque a pessoa é, em todo tempo, ainda nascente. Ninguém segue uma única vida, todos se multiplicam em diversos e transmutáveis homens”

Cada Homem é uma Raça – Contos

Mia Couto

Companhia das Letras

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